
São Paulo, dezembro de 2025 — Às vésperas do início do verão, que começa no próximo sábado (21), um novo estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) acende um alerta sobre o avanço expressivo do câncer de pele no Brasil. Entre 2015 e 2024, os registros da doença entre beneficiários de planos de saúde mais que triplicaram, com crescimento acumulado de 307,1% na taxa de casos por 100 mil beneficiários.
Embora o levantamento utilize dados da saúde suplementar, o Instituto ressalta que a tendência observada funciona como um importante indicativo de um problema de alcance nacional, especialmente em um período marcado pelo aumento da exposição solar e por mudanças climáticas que intensificam a incidência de radiação ultravioleta.
Crescimento consistente e pressão sobre a rede assistencial
O estudo, intitulado “Evolução do câncer de pele entre beneficiários de planos de saúde (2015–2024)”, aponta que o crescimento da doença vem acompanhado de maior pressão sobre a rede assistencial. A relação de casos por prestador de serviços de saúde aumentou 73,3% ao longo da série histórica, indicando concentração crescente da demanda, sobretudo sobre dermatologistas e profissionais envolvidos no tratamento oncológico.
“Esse movimento tende a gerar impacto semelhante também no Sistema Único de Saúde (SUS)”, observa José Cechin, superintendente executivo do IESS.
Exposição solar, envelhecimento e diagnóstico precoce
Segundo o Instituto, o avanço do câncer de pele está associado a um conjunto de fatores estruturais. Entre eles, destacam-se:
- O envelhecimento da população
- O efeito cumulativo da exposição solar ao longo da vida
- O aumento da radiação UV, potencializado pelas mudanças climáticas
- A ampliação do acesso ao diagnóstico e à vigilância clínica
“O início do verão reforça a atualidade desse debate. Não se trata apenas de maior incidência, mas também da necessidade de diagnóstico cada vez mais precoce e de ações efetivas de prevenção”, afirma Cechin.
Impacto mais intenso entre idosos, mas avanço em todas as faixas etárias
A análise por faixa etária mostra que o crescimento é fortemente impulsionado pela população com 60 anos ou mais, que apresentou as maiores taxas em todos os anos analisados. Em 2024, esse grupo atingiu 108,6 casos por 100 mil beneficiários, quase quatro vezes o patamar observado em 2015.
Entre adultos de 40 a 59 anos, o crescimento também foi expressivo, enquanto beneficiários com menos de 40 anos mantiveram taxas mais baixas, embora em trajetória de alta.
Em relação ao sexo, os homens continuam apresentando taxas absolutas mais elevadas, mas o crescimento proporcional foi praticamente idêntico entre homens e mulheres, indicando que os fatores de risco atuam de forma semelhante em ambos os grupos.
Efeito pandemia e retomada acelerada
O estudo também identifica o impacto da pandemia de Covid-19 sobre os registros da doença. Em 2020, houve desaceleração dos diagnósticos, seguida de retomada acelerada nos anos subsequentes, interpretada como um “efeito rebote” de casos que tiveram diagnóstico postergado durante o período de restrição de acesso aos serviços de saúde.
Prevenção como eixo central
Para o IESS, os resultados reforçam a urgência de ações permanentes de prevenção, especialmente em períodos como o verão, quando a exposição solar tende a aumentar. Medidas como educação em saúde, fotoproteção adequada, vigilância clínica e diagnóstico precoce são consideradas fundamentais.
Estimativas internacionais citadas no levantamento indicam que até 90% dos casos de câncer de pele poderiam ser evitados com estratégias preventivas adequadas.
🔎 O olhar da consultoria
Para empresas e áreas de RH, os dados reforçam que prevenção também é estratégia de gestão de benefícios. O crescimento consistente de diagnósticos de câncer de pele impacta diretamente a utilização do plano de saúde, a sinistralidade dos contratos e, consequentemente, os reajustes anuais.
Empresas que investem em ações estruturadas de prevenção — como campanhas educativas, orientações para trabalhadores expostos ao sol, acompanhamento clínico e leitura contínua dos dados assistenciais — tendem a reduzir casos avançados, tratamentos de alto custo e internações prolongadas.
A atuação consultiva apoia o RH a transformar informação em decisão, conectando saúde, prevenção, uso consciente do plano e sustentabilidade financeira. Em um cenário de crescimento contínuo dos custos assistenciais, atuar antes do agravamento clínico é também atuar antes do reajuste.




