
São Paulo, dezembro de 2025 — A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou, em reunião da Diretoria Colegiada realizada em 19 de dezembro, a atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, com novas diretrizes de utilização (DUTs) para medicamentos destinados ao tratamento do câncer de mama e da osteoporose.
As mudanças ampliam a cobertura obrigatória dessas tecnologias pelos planos de saúde a partir de 2 de janeiro de 2026, seguindo o que determina a Lei nº 14.307/2022, que prevê a incorporação no rol da saúde suplementar após recomendação positiva da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
💊 Novas coberturas aprovadas
Entre as atualizações, destacam-se dois medicamentos de alto impacto assistencial:
- Abemaciclibe
Indicado para o tratamento adjuvante de pacientes adultos com câncer de mama inicial, com alto risco de recorrência, receptor hormonal (RH) positivo, HER2 negativo e linfonodo positivo. A incorporação ocorreu por meio da atualização da DUT 64, vinculada ao procedimento de Terapia Antineoplásica Oral. - Romosozumabe
Destinado a mulheres com osteoporose grave na pós-menopausa, em falha ao tratamento medicamentoso. A atualização da DUT 65.15 estabelece cobertura obrigatória em casos específicos, como múltiplas fraturas durante o tratamento ou perda significativa de densidade mineral óssea após, no mínimo, um ano de terapia.
📊 O que essa atualização representa para RHs e empresas
A ampliação do Rol reforça uma tendência já observada na saúde suplementar: incorporação contínua de tecnologias de alto custo, muitas delas associadas a tratamentos prolongados e acompanhamento especializado.
Para empresas contratantes, esse movimento impacta diretamente:
- A sinistralidade dos contratos de plano de saúde
- O custo médio por vida
- A previsibilidade orçamentária dos benefícios
- Os reajustes anuais, especialmente em contratos com alta utilização assistencial
Ainda que a ampliação da cobertura represente avanço importante no acesso ao tratamento, ela também exige atenção redobrada na gestão do benefício saúde.
⚠️ Incorporação tecnológica e pressão sobre reajustes
A inclusão de medicamentos como terapias oncológicas orais e imunobiológicos reforça um dos principais vetores de aumento de custo do setor: a incorporação acelerada de novas tecnologias, muitas vezes com impacto financeiro relevante.
Na prática, esses custos entram diretamente na conta da sinistralidade e, quando não acompanhados por gestão ativa, tendem a se refletir em reajustes mais elevados na renovação contratual.
🧠 Boas práticas de gestão de benefícios ganham ainda mais importância
Diante desse cenário, especialistas destacam que empresas com maior maturidade na gestão de benefícios adotam estratégias como:
- Monitoramento contínuo da sinistralidade
- Análise de impacto de novas tecnologias no contrato
- Planejamento orçamentário considerando atualizações do Rol
- Comunicação clara com colaboradores sobre cobertura e uso do plano
- Apoio técnico para negociação e revisão contratual
Essas práticas ajudam o RH a sair da lógica reativa e atuar de forma mais estratégica frente às mudanças regulatórias.
🔎 O olhar da consultoria
A atualização do Rol da ANS reforça que gestão de plano de saúde não se limita à contratação ou à renovação anual. A incorporação de novas tecnologias, especialmente medicamentos de alto custo, exige leitura técnica, acompanhamento constante e decisões baseadas em dados.
O papel da consultoria é apoiar o RH e a empresa na análise do impacto assistencial e financeiro dessas mudanças, conectando regulação, uso do benefício, sinistralidade e estratégia de negociação. Em um cenário de constante ampliação de coberturas, atuar antes do reajuste é o que diferencia contratos sustentáveis daqueles pressionados por aumentos recorrentes.




