
Reajuste médio dos contratos coletivos é o menor em cinco anos. Mas o dado agregado não funciona como guia para contratos específicos.
Os dados divulgados pela ANS nos dois primeiros meses de 2026 confirmam uma desaceleração no reajuste médio dos planos coletivos: 9,9% — o menor patamar desde 2021, quando o índice ficou em 6,43% (em contexto ainda influenciado pela pandemia).
As projeções para o ciclo de maio/2026 a abril/2027 reforçam o movimento. A Mercer Marsh Benefícios estima reajuste médio entre 8% e 11% para sua carteira — em linha com a inflação médica, que ficou em 9,14% em 2025 e deve seguir entre 9% e 11% no ano.
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A leitura técnica do número
Apesar do alívio aparente, três fatores qualificam a leitura:
- Reajuste médio é estatística agregada. Para grupos com 30 vidas ou mais, o número é negociado individualmente, e a sinistralidade específica do contrato é o vetor dominante.
- A inflação médica segue acima da inflação geral. Os 9,9% médios continuam pressionando o orçamento das empresas, especialmente em um ambiente de IPCA controlado.
- Coparticipação, reembolsos restritos e redes mais enxutas viraram regra. A desaceleração do reajuste vem acompanhada de transferência de custo e limitação de acesso para o beneficiário.
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Os três vetores do reajuste — e o que a empresa controla
Toda renovação de contrato coletivo é composta por três variáveis:
- VCMH (inflação médica) — índice medido pelo IESS que acompanha custos de procedimentos, medicamentos e insumos hospitalares. Base de reajuste para todos os contratos. Não controlável pela empresa.
- Sinistralidade do contrato — relação entre utilização e mensalidades pagas. Parcialmente controlável. Em grupos com 30+ vidas, é o vetor dominante.
- Ajuste por faixa etária — ocorre no aniversário de cada beneficiário, independente do reajuste anual. Previsível.
A empresa não reverte o VCMH nem renegocia faixas etárias — mas pode atuar com consistência sobre a sinistralidade, desde que comece cedo.
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Faixas de sinistralidade — leitura técnica
| Patamares e o que cada um sinaliza • Abaixo de 75% — saudável. A empresa chega à renovação com poder real de negociação. • 75% a 80% — zona de atenção. Pequenas variações podem deslocar o indicador. • 80% a 90% — sinistralidade alta. Reajuste acima da média é esperado. • Acima de 90% — crítico. Reajustes de 20% a 30% são prováveis; cláusulas restritivas podem ser propostas. |
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Reajuste médio é manchete. Reajuste do seu contrato é construção de doze meses.
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O papel da consultoria
Na Mast, o tema é tratado como variável de gestão — não como informação pontual. A atuação se desdobra nas seguintes frentes:
- Monitoramento mensal — leitura de sinistralidade acumulada e eventos atípicos antes do fechamento do ciclo.
- Revisão cadastral — identificação de beneficiários inativos que distorcem o cálculo do contrato.
- Programas preventivos — apoio na estruturação de ações que reduzem sinistralidade no médio prazo.
- Negociação com dados — argumentação técnica com memória de cálculo, nota atuarial e benchmarks.




