Despesas com medicamentos cresceram 68,1% em planos coletivos empresariais entre 2019 e 2024. A incorporação continua acelerada.

Estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar publicado no início de 2026 trouxe um dos recortes mais importantes para quem gerencia benefícios corporativos: as despesas com medicamentos nos planos de saúde cresceram 77,4% em planos individuais, 68,1% em coletivos empresariais e 57,6% em coletivos por adesão entre 2019 e 2024.
No total, em 2024, os planos empresariais pagaram R$ 10,2 bilhões em medicamentos. Os coletivos por adesão pagaram R$ 4,5 bilhões, e os individuais, R$ 5,7 bilhões.
________________________________________
O dado que reposiciona o debate
A participação de medicamentos nos custos assistenciais totais dos planos saltou de 7,3% para 10,2% entre 2019 e 2024, segundo dados da ANS.
Há um descompasso estrutural: planos individuais representavam 16,8% dos beneficiários em 2024, mas concentraram 28% das despesas com medicamentos. A diferença se explica pelo perfil etário — a participação de beneficiários com 59 anos ou mais chegou a 31,6% da carteira individual, enquanto nos coletivos empresariais a faixa de 19 a 43 anos domina (54,4%).
________________________________________
Por que o ritmo de incorporação continua
O IESS aponta que a aceleração está diretamente ligada à mudança promovida pela Lei 14.307/2022, que alterou o processo decisório do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde. A cada seis meses, novas incorporações podem ser aprovadas — ritmo substancialmente mais rápido do que o anterior.
Em abril de 2026, esse movimento continua. As três novas resoluções normativas publicadas no mês (RN 667, 668 e 669) e a entrada em vigor da RN 654/2025 (cirurgia robótica próstata) reforçam a tendência de ampliação contínua do escopo obrigatório.
________________________________________
🔎 Reflexos práticos para a gestão do contrato
- Contratos com perfil populacional específico (oncologia, doenças autoimunes, condições crônicas) tendem a ter reajustes acima da média do mercado.
- Eventos atípicos de alto custo — um único caso oncológico pode mover significativamente a sinistralidade de contratos pequenos.
- Programas de gestão de crônicos e segunda opinião médica passam a ter retorno financeiro mensurável no médio prazo.
- A empresa que não monitora a utilização mensalmente perde janela de ação preventiva.
| O paradoxo da incorporação acelerada • Cada nova tecnologia no Rol amplia o acesso — e o custo atuarial obrigatório. • Operadoras absorvem o custo no ciclo seguinte, repassando via reajuste. • Empresas que acompanham só o texto das resoluções são surpreendidas na renovação. • A leitura técnica mensal é o que separa reação de antecipação. |
________________________________________
Cada inclusão no Rol amplia cobertura obrigatória. Cada nova cobertura pode alterar a dinâmica financeira do contrato.
________________________________________
O papel da consultoria
Na Mast, o tema é tratado como variável de gestão — não como informação pontual. A atuação se desdobra nas seguintes frentes:
- Monitoramento de eventos atípicos — identificação precoce de tratamentos de alto custo que impactam a sinistralidade contratual.
- Análise de perfil populacional — leitura da carteira para antecipar tendências de utilização e risco estrutural.
- Programas preventivos qualificados — apoio na estruturação de gestão de crônicos com indicadores mensuráveis de retorno.
- Antecipação de impacto regulatório — tradução técnica das incorporações do Rol em cenários atuariais específicos para o contrato.




